Deputado estadual critica criminalização de “opiniões diferentes”

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Deputado Enivaldo dos Anjos

“Democracia é respeitar o direito dos desiguais. Não se pode todo mundo ter a mesma opinião porque isso se encaixa num sistema ditatorial, de arrogância e prepotência”.

Foi assim que o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), da tribuna da Assembleia Legislativa, chamou a atenção para a onda de intolerância que percebe existir em relação a pessoas que se manifestam de forma divergente daquela que parece estar sendo imposta como senso comum no Brasil.

De acordo com o parlamentar, “numa ditadura é que prevalece esse espírito que só a opinião de quem manda é que vale. Mas em um sistema democrático, que é o nosso, as divergências devem ser respeitadas da mesma forma que devemos respeitar quem pensa diferentemente de nós. O pronunciamento foi a propósito de polêmicas que nos últimos dias têm sido levantadas, principalmente, em torno de posições contrárias a alguns tipos de manifestações artísticas.

“As pessoas no Brasil, principalmente parte da imprensa, estão acostumadas em achar que o assunto só é bom quando eles concordam. Ora, que democracia é essa em que você não quer dar direito à diversidade? E por que as pessoas têm que pensar igual pensa parcela da imprensa? Eu acho que está havendo exagero nessa intolerância”, observou.

Sobre a polêmica envolvendo as artes, Enivaldo foi enfático: “Ora, o sujeito quer fazer arte. Tudo bem Daí, quer fazer arte com o sujeito pelado e com menino passando a mão e acha que está certo. Mas tem quem acha que está certo e quem acha que não está certo. E quem acha que não está certo tem o direito de se manifestar. Agora, a imprensa criminaliza as pessoas que são contra o pensamento dela ou de parte dela e isso é, na verdade, uma falta de democracia”.

Enivaldo dos Anjos relembrou que a sociedade brasileira “lutou tanto para ter democracia no Brasil, pela liberdade de imprensa e todas as liberdades, mas quando um assunto polêmico somente é pautado ou prevalece ou só é publicada e valorizada aquilo que a imprensa acha e não o que pensam os contrários. E é exatamente isso que é a democracia”.

Para o deputado, é necessário se respeitar os valores culturais da população: “As pessoas que se manifestam contra não podem ser criminalizadas, porque isso é cultural. É da cabeça de cada um. Cada um tem um hábito familiar, um hábito de convivência social e nós não podemos ser obrigados a fazer e pensar diferente. É uma questão individual. Acho que parte da imprensa brasileira exagera no direito de publicar as coisas e tenta interferir na população quando ela expõe a sua opinião como a única certa”.

E finalizou deixando um questionamento: “Quer dizer que só presta quem pensa de acordo com o pensamento da imprensa? Quem pensa o contrário não merece respeito e não deve ter sua opinião respeitada?”

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