Deputado Enivaldo dos Anjos homenageia líder de movimento negro

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Referência no Movimento Negro Capixaba, atuando no Círculo Palmarino, o militante Luiz Inácio Silva da Rocha, mais conhecido como Lula Rocha (foto), foi indicado pelo deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) para ser homenageado nas comemorações relativas à Insurreição de Queimado, no dia 10 de maio, às 16 horas, na Assembleia Legislativa.

A sessão, promovida pelo deputado Padre Honório (PT), pretende homenagear personalidade ou entidades da sociedade civil organizada que se destaquem nas lutas contra a discriminação racial e em defesa das causas do povo negro, conforme determina a lei que criou o evento.

Lula Rocha iniciou sua militância no Movimento Estudantil Secundarista como diretor da União Cariaciquense dos Estudantes Secundarista – UCES. Foi presidente do Conselho Municipal e Estadual de Juventude, Consultor da Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República, Presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos e do Conselho do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte.

Luiz Inácio Silva da Rocha é, ainda, coautor dos livros “Do luto a luta: mães de maio” e “Juventude Negras do Brasil”. Atualmente, é membro do Conselho do Negro de Cariacica e coordena um cursinho popular preparatório para o ENEM em Santana, em Cariacica.

QUEIMADO

O dia 19 de março de 1849 é um marco na história dos descendentes de africanos no Espírito Santo. Nessa data, o distrito de Queimado, no município de Serra, foi palco de uma intensa revolta de escravos pela liberdade. Durante cinco dias, a insurreição só terminou com a prisão dos líderes do movimento, de acordo com o historiador Clério José Borges.

Tudo começou com o compromisso assumido por um frei com os escravos locais, mas não cumprido. Frei Gregório José Maria de Bene era um capuchinho italiano que tinha ideias abolicionistas e o desejo de construir uma grande igreja no povoado de Queimado. Para realizar essa construção, teria se comprometido com alguns escravos prometendo que aqueles que participassem da tarefa poderiam ser posteriormente libertos.

Frei Gregório prometeu aos escravos que intercederia junto aos senhores para que alforriassem todos os escravos que contribuíram na obra da igreja. No dia 19 de março, dia da festa de São José, durante a celebração da missa em homenagem ao santo, cerca de 30 escravos entraram na igreja. Aproveitando o momento de festa em que se encontravam reunidos vários senhores, os escravos pretendiam exigir suas declarações de alforria.

Acreditando que o padre os apoiaria, os escravos entraram na igreja aos gritos de liberdade. Instaurado um momento de confusão, o padre interrompeu a missa e, sem nenhuma comunicação com os escravos, abandonou o altar. Mesmo sem o apoio do padre, Elisário, João e Chico Prego, líderes do movimento, e outros escravos resolveram percorrer as casas dos senhores exigindo que assinassem a declaração de alforria.

Os líderes acreditavam que, apresentando as declarações assinadas, o padre não se omitiria e os ajudaria a oficializar o documento junto à Imperatriz Dona Tereza Cristina, com quem o padre mantinha relações de amizade. Os escravos seguiram para diversas fazendas reunindo um número cada vez maior de escravos e exigindo que seus senhores assinassem as declarações de liberdade.

Segundo o presidente de província, nessas incursões os escravos foram acumulando armas, munições e chegaram a formar um grupo de cerca de 300 revoltosos, gerando confrontos e vítimas feridas dos dois lados.

Do dia 20 ao dia 23 de março de 1849, deu-se o combate à insurreição pela força policial. Na perseguição aos revoltosos, os policiais atiravam em qualquer negro que encontravam pelas ruas, estando envolvidos na revolta ou não.

Muitos escravos foram mortos e outros brutalmente castigados. No dia 31 foi realizado o julgamento e a sentença só foi obtida após três dias de debate. Em 7 de dezembro, cinco presos conseguiram fugir da prisão.

Como na prisão não foi encontrado vestígio de arrombamento, a fuga foi atribuída a um milagre de Nossa Senhora da Penha, já que Elisiário insistia com seus colegas que não parassem de rezar.

Elisiário tornou-se uma lenda já que, mesmo perseguido, nunca foi encontrado. Tornou-se herói entre os negros que lutavam pela liberdade e sua fuga foi cantada em prosa e verso como um milagre da santa. João e Chico Prego foram executados em janeiro de 1850.

 

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